sábado, 4 de janeiro de 2014

The gentle art of making enemies

Para os fãs mais atentos, este poderia ser o mote para mais uma incursão no poderoso mundo dos Faith No More. Mas não desta vez! Hoje chego-vos para falar do perigoso universo de James Blake.
Vítima da sua persistência e talento, Blake apresentou em 2009 o primeiro fruto do seu trabalho - Air & Lack Thereof -, tornando-se rapidamente num dos cantautores de eleição da BBC Radio. Após a sua licenciatura em Música Popular, pela Universidade de Londres, continua a estender o seu espólio e, em apenas dois anos, lança cinco EP's e o seu primeiro longa duração: The Bells Sketch, CMYK e Klavierwerk (EP's, 2010); Enough Thunder e Love What Happened Here (EP's, 2011); James Blake (LP, 2011). Em abril de 2013, James Blake edita o seu segundo álbum, Overgrown, que depois do reconhecimento lhe traz a merecida glória - vence o tão desejado Mercury Prize e é nomeado para a categoria de Artista Revelação na 56ª edição dos Grammy Awards.
James Blake move-se no limiar do génio e do popular cançonetismo de um festival da eurovisão, mas fá-lo com tal mestria que custará imaginar tão tenra figura por detrás de tão envolvente voz.
Por vezes controverso, incompreendido por uns e amado por outros, é este o menino prodígio capaz de nos manipular na suave arte de fazer inimigos.


For the most attentive fans, this could be the beginning for another foray into the powerful world of Faith No More. But not this time! Today I come to you to talk about the dangerous world of James Blake.
Victim of his persistence and talent, Blake presented in 2009 the first fruit of their labor - Air & Lack Thereof -, rapidly becoming one of the singer-songwriters with greater recognition on BBC Radio. After his degree in Popular Music, in the University of London, continues to extend your booty and, in just two years publish five EP's and his first LP: The Bells Sketch, CMYK and Klavierwerk (EP's, 2010); Enough Thunder and Love What Happened Here (EP's, 2011); James Blake (LP, 2011). In April 2013, James Blake released his second album, Overgrown, that after recognition brings him the glory - wins the Mercury Prize and received his first grammy nomination at the 56th Annual Grammy Awards for Best New Artist.
James Blake moves on the threshold of genius and the popular style of the Eurovision Song Contest, but does it with such mastery that will cost to imagine such a young figure behind so engaging voice.
Sometimes controversial, not understood, but loved, this is the prodigy able to manipulate us in the gentle art of making enemies.



Limit to your love, foi o segundo single retirado do seu álbum homónimo e um dos grandes responsáveis pelo sucesso da sua carreira


Limit to your love, was the second single taken from the album James Blake and largely responsible for the success of his career 


O primeiro avanço para Overgrown, Retrograde, confirmou o seu génio


Retrograde, from Overgrown album, confirmed his genius

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Don't stop me now

Hoje é primeiro de janeiro. Trocados que estão os primeiros desejos de felicidade, são já muitos os que colocam metas a si próprios e como que recomeçam a viver.
No ano que me viu nascer, o da graça de 1978, Freddie Mercury timonou os Queen para mais um dos seus clássicos. Sob o delírio do piano, Don't stop me now sai do estúdio e faz-se voz da exaltação da (boa) vida. Parece-me uma boa forma de começar!

Today is january 1st. After the first wishes of happiness, there are many who put themselves targets, starting a new life.
In 1978, year I was born, Freddie Mercury led Queen in another one of his classics. Under the delusion  of piano, Don't stop me now leaves the studio and becomes a voice of exaltation of (good) life. Seems like a good way to start!



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Esperança por 2014

2013 veio como um terramoto de grande escala. Começou sereno, abanou e fez cair, deixou marcas pelos escombros e, quando parecia manso, fez sentir as suas réplicas.
Porque não me canso de esperar, 2014 será o meu ano de esperança. Como disse Sérgio Godinho, "é um desafio que me vai bem." 
Feliz Ano Novo!

2013 came as a large-scale earthquake. Started calm, waved and called down, left traces in the ruins and, when it seemed meek, showed their rebuttal.
How not to get tired of waiting, 2014 will be my year of hope. As said Sérgio Godinho, "is a challenge that suits me well."
Happy New Year!





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Voltar ao mercado...

Vi hoje com entusiasmo o excerto de uma boa entrevista a Herman José. Não dispensaria tanto da minha atenção, se pensasse previamente no canal que me veio a prender, mas sentar-me-ia confortável e antecipadamente de sofá, se por ventura imaginasse ouvir as palavras que me fazem voltar a escrever-vos. 
"Quando servimos um bom vinho aos amigos, não queremos apenas servir bom...queremos o melhor. Se um dia esse vinho nos sabe martelado, tendemos a mudar e, entretanto, a marca perde-se. Será então necessário muito tempo, para que recuperemos essa marca."
Mil setecentos e setenta e oito dias depois da primeira entrada neste blog, tentarei recuperar a minha marca. Tentarei não me perder no tempo e servir-vos, pelo menos, um bom vinho de mesa.
Começo, como tantos outros já o fizeram, por vos deixar o meu olhar sobre 2013. Que nos embale na sua sinfonia e nos inspire para um fértil novo ano. Cheers!

Today I enthusiastically saw an interview with the actor Herman José. I did not relieve so much of my attention if I thought ahead in the channel that came to arrest me, but I would sit comfortably on my couch if I imagine hear the words that make me write back to you.
“When we serve a good wine to our friends, we don’t want only serve a good one… but the best. If one day this special wine disappoints us, we change it, his brand lost and will take a long time to recover his trademark.”
One thousand, seven hundred and eight days after my first publication, I will try to get my brand. I will try not to lose myself in time and serve, at least, a good table wine.
I will start to leave you my gaze on the year 2013. I hope it wraps us in his symphony and inspire us to a new fertile year. Cheers!   

Melhor álbum nacional / Best portuguese album

Almost Visible Orchestra (Noiserv)



Melhor álbum internacional / Best international album

Trouble will find me (The National)




Melhor single nacional (ou aquele a que tiro o meu chapéu) / Best portuguese song
Eu seguro (Samuel Úrea ft Marcia, O Grande Medo do Pequeno Mundo)



Melhor single internacional (ou o que mais me fez usar a função repeat) / Best international song
Sirens (Pearl Jam, Lightning Bolt)



Melhor espetáculo / Best performance



Melhor descoberta (no ano, não do ano) / Best discovery (in the year, not of the year)
To build a home (Cinematic Orchestra)


sábado, 26 de março de 2011

Lugar à canção

Estava longe de imaginar, que o meu jantar da última quinta-feira teria sido cozinhado no ano de 2006. Mais longe estaria, de atribuir a sua confecção e receita ao chef John Carney, e que a sua degustação durasse precisamente oitenta e três minutos – falo-vos de Once (No mesmo tom, na tradução portuguesa), um filme que vi por acaso e que me delicia com cinco anos de atraso.

Quando o jovem Glen Hansard abandonou os estudos para se apresentar como músico às ruas de Dublin, não pensaria que volvidas mais de duas dezenas de anos esse seria o seu argumento para o mundo. Quando o músico Glen Hansard se reuniu com a cantora e multi-instrumentista Markéta Irglová, para que nascesse o projecto The Swell Season, não pensaria o quão longe poderiam viajar as suas canções. Quando o actor Glen Hansard se revela como protagonista de um filme indie, não imaginaria o seu nome escrito na galeria de notáveis de Hollywood.

Realizado pelo irlandês John Carney, Once é uma história simples. Sem qualquer notabilidade de imagem, sem truques e efeitos visuais, sem grandes interpretações ou riqueza de argumento, este é um filme que fala do sonho, que enaltece as relações e que se centra em grandes canções. Vencedor do Óscar da Academia para melhor música original e aclamado pela crítica musical, Once elevou a minha visão de banda sonora – é que aqui há espaço para se ouvir cada canção, como a voz de uma personagem com lugar no guião.





sábado, 12 de março de 2011

Onde é que eu já ouvi isto?

Corro o risco de vos escrever em plena hora de ponta da anunciada manifestação da Geração À Rasca. Faço-o consciente da minha falta de comparência e motivado por três grandes estandartes: a vitória dos Homens da Luta na última edição da Festival da Canção; a entrevista de Mário Crespo a Gel, que tive oportunidade de ver ontem num dos jornais nocturnos da SIC Notícias; e o facto de, quer queiramos quer não, se falar de música.

Já muito se disse sobre o que poderá ter motivado um tão grande número de votos a favor dos Homens da Luta, mas se recuar no tempo e me remeter ao concerto de encerramento do Optimus Alive!10, não me custa imaginar que tal moldura humana tenha alegremente contribuído com o seu clic online (e quem sabe com generosos 0,60€ + IVA).

Muito se especulou também, sobre a qualidade (ou falta dela) da interventiva canção Luta é Alegria, mas neste campo não posso deixar de referir alguns factos:

1- 1- Longe vão os tempos de glória da aclamada música ligeira, que tão boa gente colocou na Eurovisão em defesa das cores nacionais.

2- 2- Muitas das denominadas grandes vozes do panorama musical português, revelaram-se maiores fracassos nas votações do tão aclamado festival.

3- 3- Parece-me um pouco excessivo que tantos Pedros Miguéis tenham tentado elevar o estatuto português, com resultados tão medíocres e sem qualquer expressão de vitória.

4- 4- Se o grande receio é que o país saia envergonhado com a prestação de Gel & Cia, faço minhas as palavras de Bruno Nogueira relembrando as cestas de fruta trincada e papagaios voadores, que obrigamos a Europa a ouvir.

No próximo mês de Maio, com ou sem vergonha, com maior ou menor espaço à revolução, os Homens da Luta serão em solo Alemão a voz de um povo que parece não querer ficar calado, recordando que a sua sonoridade é a que mais se aproxima da canção portuguesa mais votada em festivais da Eurovisão (lembram-se da Lúcia Moniz?).

Força camaradas!


quarta-feira, 9 de março de 2011

Sempre que o Homem quiser…

A vossos pés me confesso!

Tentei no princípio do ano que agora corre, imprimir maior regularidade a este meu blog. Reconheço a cada dia que, sendo pai de dois filhos, a tarefa não se torna fácil. Não posso, no entanto, deixar apenas guardado na minha caixa de memórias o que me acaba de entrar pela porta.

Depois do lançamento de mais um título do legado da Leopoldina, que a cada Natal o Grupo Sonae faz anunciar sob a tutela da solidariedade, pensei generosamente que a fonte da criatividade se tinha esgotado: mais um disco infantil, com as mesmas canções de sempre, na quadra mais apetecível a um qualquer disco infantil com as mesmas canções de sempre.

Descobri, tardiamente, que este não era um disco qualquer. Que afinal estas mesmas canções de sempre, eram interpretadas por nomes que poderão ficar para sempre.

Do fado de Ana Moura, ao funk dos Expensive Soul, do rock dos Xutos & Pontapés ao folk dos Anaquim, da visão de Legendary Tigerman ao génio de Deolinda, do sopro de Tiago Bettencourt (+ Sam the Kid) ao verbo de Pedro Abrunhosa, da sinceridade de Rita Redshoes à ingenuidade de Gomo, da mestria de David Fonseca à fantasia da infância, este é um disco que cresce a cada faixa, que nos transporta e faz viajar, que traz à pele os sonhos de ontem nas vozes de hoje.

Descobri, tardiamente, que me faltava magia no reportório, que teve tanto tempo guardada naquele que há muito me ia deitar… e que ingenuamente deixei esgotar.

Hoje tive mais Natal… porque afinal ele é sempre que o Homem quiser.