segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Senhor trovador

Era uma vez .Podia ter começado assim o concerto que B Fachada deu no último sábado no Fórum Cultural de Alcochete - B de Bernardo, Fachada justificando, talvez, a utilização do B.
Semente germinada no solo fértil da Flor Caveira, o trovador de Cascais subiu ao palco, que reconheceu ser bom para o teatro, como quem caminha numa procissão - cabisbaixo, violas a alumiar o caminho (pese o facto de ter sido o primeiro pagão a gravar para a já referida editora). Sentado ao piano, luxo que confessou (a fonte segura) não ser de um artista pobre, fez esquecer a maldade meteorológica que se abatia lá fora e destilou versos e canções, numa noite que se fez provençal.
Como quem canta para a torre de um castelo ou ora em praça pública, B Fachada laureou-se de canção em canção, do piano para a viola, de viola em viola, de estória em estória, num misto de amor, escárnio e extrema boa disposição. De passeio no pónei dourado ou à chamada do seu novo homónimo, não faltaram Só te Falta Seres Mulher, Kit de Prestidigitação, Responso para Maridos Transviados, Conceição ou o mais corrido Estar à Espera ou Procurar.
Na noite que confessou estar (ainda) a aprender o timing certo para regressar em encore, B Fachada cantou solene, brindou-nos (quase) à capela e despediu-se tal como se me dera a conhecer - sentida e vigorosa prestação de Zé!.
Veio a pé e merecia ter saído de Cadillac. E é ainda muito novo!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

(ainda o) Mercado de 2009 (III)

Foram necessários vinte e oito anos, sensivelmente uma dezena de álbuns em nome próprio e muito sucesso com a sua mais emblemática banda, para mergulhar na sonoridade de Morrissey.
Stephen Patrick Morrissey, adopta o seu nome de família e em 1982, após a emergência do movimento punk dos anos 70, assume-se como a voz dos Smiths. Anos antes, tentara um lugar nos Slaughter & the Dogs e cantara nos Nosebleeds, mas foi a parceria com Johnny Marr que o transformaria numa das grandes descobertas da pop britânica.
A caminhada entre 1984 e 1986, faz dos Smiths uma banda que deixaria o seu legado e o seu lugar na história. Entre singles de êxito, especulações sobre a sua orientação sexual, manipulação dos órgãos de comunicação e posições políticas polémicas, Morrissey cresce, estabelece-se e desmorona a sua banda de culto, lançando-se numa carreira a solo.
Tal como acontecera com os seus Smiths, o primeiro longa duração de Morrisey - Viva Hate - foi bastante bem aceite pela crítica. No entanto, alguma falta de zelo atrasa-o no lançamento do segundo registo o que, aliado à nova cena de Manchester (com nomes como os de Stone Roses e Happy Mondays), o transforma numa antiguidade pop.
Com uma longa travessia no deserto, e mesmo com alguns discos no mercado e com um período de sete anos de inércia criativa, só em 2004 Morrissey perde o estatuto de relíquia e é elevado a lenda viva do rock. You are the Quarry recoloca-o nos escaparates e arma-o na conquista de Inglaterra e América.
Até ao final da década de 00, o antigo rosto dos Smiths mostra-se por mais duas vezes - Ringleader of the Tormentors (2006) e Years of Refusal (2009) - mas é do sumo dos últimos cinco anos da sua carreira, que se faria o cocktail com que agora brindo a Morrissey. Competente, ousado, sinfónico, são alguns dos sinónimos que poderiam caracterizar Swords, uma colectânea vintage de lados-B que espanta por alguns dos temas renegados às suas principais edições.
Não é o melhor de 2009 mas é, para mim, o mais surpreendente.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mercado de 2009 (II)


Melhores capas de álbuns nacionais (fotos):


3) Cacique 97 - s/t



2) Sean Riley and The Slowriders - Only Time Will Tell



1) The Legendary Tigerman - Femina


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo


Aos que alimentaram 2009, aos que irão nascer e coroar 2010, desejo um fantástico ano novo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Mercado de 2009 (I)

2009 foi um ano de muita e boa música. Em várias frentes, o mercado encheu-se de grandes produções, engordando com o fruto do trabalho pensado por aqueles que se propuseram, de forma mais ou menos esperada, a encher-nos os ouvidos.
Nas próximas edições, consciente da minha não originalidade, mas convicto nas minhas escolhas, serão aqui exaltados os que, pelo seu rigor, qualidade e/ou mérito, souberam honrar a década que agora finda.

Melhores capas de álbuns internacionais (fotos):


3) Antony and the Johnsons - The Crying Light



2) Biffy Clyro - Only Revolutions



1) Yeah, Yeah, Yeahs - It's Blitz




quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Aos que me inspiram, aos que me permitem escrever-vos e aos que, de uma ou outra forma, agitam o mercado, desejo um santo e feliz Natal... musical.


sábado, 12 de dezembro de 2009

A cereja no topo do bolo

As curtas semanas que nos separam do final de mais um ano serão, com toda a certeza e como em todos os finais de ano, propícias à agitação do mercado: saídas estratégicas daqueles álbuns que desde Outubro/Novembro ameaçam encher os escaparates; colectâneas capazes de reunir o que de melhor se fez nas diferentes décadas do último milénio, nos mais variados estilos musicais; colecções de êxitos de bandas há muito desagregadas e que tentam um novo fôlego, e de outras, outrora extintas, que vêem agora editados os seus sucessos essenciais.

Neste contexto, também este está a ser um final de ano próspero no que se refere à agenda de concertos ao vivo. Longe do reboliço que se viveu nos festivais de verão, assinaram-se nos últimos tempos grandiosos momentos em nome próprio - Skunk Anansie, Depeche Mode, Rammstien, Muse, Franz Ferdinad, Prodigy e Editors -, preparando-se já um novo ano com nomes de assinalável respeito.

Depois da confirmação dos concertos de U2 (Estádio Municipal de Coimbra) e de nomes como os de Pearl Jam (Optimus Alive) e Muse em palcos lusos (Rock in Rio), foi já anunciado o regresso daquela que será uma das bandas com maior legião de fãs em Portugal.

Com apresentação mítica no velhinho estádio de Alvalade (1993) e nova descarga de energia no Estádio do Restelo (1996), os Metallica tornaram-se numa das bandas de culto com passagem obrigatória no nosso país - em seis anos visitaram-nos por quatro vezes. Oficialmente comprovado no seu site oficial, os Metallica actuam no próximo dia 18 de Maio de 2010 no Pavilhão Atlântico (foram hoje colocados à venda os bilhetes nos locais habituais), assegurando a promotora Everything is New que para além de ser a primeira vez que se apresentam em Portugal em recinto fechado, o espectáculo terá a particularidade (e a espectacularidade) de os mostrar num palco de 360º - talvez semelhante ao que se pode ver no DVD Cunning Stunts, gravado ao vivo em Fort Worth, Texas.


Se imaginarmos a nossa agenda de concertos como um suculemno bolo e cada um dos seus espectáculos como uma das suas deliciosas fatias, esta notícia será certamente a cereja colocada no topo.

Recordem aqui algumas das passagens dos Metallica pelo nosso país.


A primeira vez...





O regresso após o Restelo (1996)...





A entrevista no rescaldo do Optimus Alive ´09...