domingo, 29 de novembro de 2009

Se Maomé não vai à montanha…

Oriundos de Ayrshire, os escoceses Biffy Clyro respondem pelo nome de Simo

n Neil (voz/guitarra) e dos gémos James e Ben Johnston (baixo e bateria).

No início do ano 1995, depois de algumas aparições em pequenos concertos, o trio encabeçado por Simon Neil (à data acompanhado por Kilmarnock e Ben Johnston) actua como banda de suporte dos Pink Kross – com o nome Skrewfish – o que lhes confere maior visibilidade perante o público.

Segundo o próprio Simon “até àquele momento soávamos como qualquer outra banda que passava o tempo a ouvir Nirvana e que acabava de descobrir o pedal de distorção. No início só queríamos soar como a nossa banda preferida, mas depois de algum tempo pensas que outros te poderão ouvir como a sua banda de eleição.”

O ano de 1997 escreve uma nova página ao trio escocês. Neil ingressa na University of Glasgow, entrando os gémeos Johnston em Stow College, para o estudo de Electronics with Music e Audio Engineering, respectivamente. Aos estudos alia-se uma maior rodagem de palco e a hipótese de conhecer nova gente do meio – em três anos, já com Dee Bahl como manager – gravam a sua primeira maqueta, thekidswhopoptodaywillrocktomorrow, e ouvem pela primeira vez uma das suas músicas passar na rádio.

A vertiginosa passagem dos anos, arrasta um reconhecimento cada vez maior da banda que, depois de abandonar Dee Bahl e pôr aos seus comandos Beggars Banquet, grava três álbuns nos primeiros anos do novo milénio – Blackened Sky (2002), The Vertigo of Bliss (2003) e Infinity Land (2004). Mas é a caminhada entre 06-08, que viria a dar aos Biffy Clyro não só o reconhecimento das massas, como dos grandes nomes da cena musical.

A edição de Puzzle (2007) dá-lhes a oportunidade de partilhar o palco com bandas como Queens of the Stone Age, Linkin Park e Bon Jovi, enquanto Mountains, o primeiro single da banda a entrar para o UK Top 10, os coloca definitivamente nas bocas do mundo.



Com Only Revolutions (2009) na bagagem, e depois de cancelarem o concerto agendado para o Santiago Alquimista, os Biffy Clyro brindam hoje os seus fãs portugueses com um concerto na primeira parte dos britânicos Muse.

É esperar para ver.

sábado, 25 de abril de 2009

Abril da Revolução, Abril da Canção

Houve em tempos um Abril mais escuro, apertado. Houve em tempos um Abril que nos fazia temer as palavras, que as castrava e que as camuflava para que pudessem ter sentido.
Houve em tempos um Zeca, um José Mário, um José Jorge e um Barata Moura, um Ary e um de Carvalho, um Tordo, um Freire, e um e outro e outro ainda.
Houve em tempos um tempo, em que a canção parecia ter mais força, porque a força parecia, muitas vezes, vir da canção.
No dia e à hora marcada, o povo saiu à rua. No dia e à hora marcada, o povo fez-se também soldado, fez do cravo a sua arma e disparou para a liberdade.
Comemoramos hoje trinta e cinco anos de revolução. Comemoramos hoje trinta e cinco anos da força da canção.

sábado, 18 de abril de 2009

Menina mulher

Será possível juntar o vigor do sapateado flamenco a sonoridades como as de Azucar Moreno e Adelaide Ferreira, condensando-as num espectáculo acima da média?
Foi sem expectativas que entrei no cinema São Jorge, na passada quinta-feira. No átrio, entre algumas caras conhecidas do grande público e ilustres desconhecidos, destacavam-se os promotores do concerto que, entre cumprimentos e conversas mais ou menos alargadas, iam dando as coordenadas para o acontecimento da noite – poucos bilhetes para venda a assistentes comuns, um curto atraso para levantamento dos últimos convites e a informação de que este seria um espectáculo para ver hoje e comprar depois (percebi que longe de ser o puro concerto para fãs, seria, antes de mais, um concerto para ouvidos críticos).
Tal como anunciado, La Shica entrou no palco da Sala 1 do São Jorge tardiamente. Fizeram-se ouvir os primeiros acordes no contrabaixo que, unidos ao som do guitarrista Fernando (o brasileiro que impõe às suas cordas a força e estímulo ciganos) fizeram-me perceber que a noite não seria de exclusivo flamenco.
Não tinha grande conhecimento do trabalho desta menina espanhola (nem considero que, depois de assistir ao seu concerto, o tenha ganho), mas a forma como conduziu o seu tempo para a glória, a sua voz robusta, a simpatia e a simplicidade com que comunicava com o público, e a capacidade de unir as diferentes e inúmeras abordagens que trespassavam cada uma das suas músicas, conquistaram-me.
La Shica é flamenco (no esplendor do canto e da dança), é jazz, é pop, é rock, é hip-hop. La Shica é salero, é glamour, é entretenimento e espectáculo.
Como espectador, rendi-me. Se produtor, comprava.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Antes de ser…

Tornou-se comum, e é cada vez mais um dado adquirido, que o percurso de vida de determinada banda (e entenda-se por determinada, aquelas que já muito nos deram a ouvir) seja coroado com o regresso à luz do dia de algumas das suas pérolas – porque estão em ano de aniversário, porque se celebra o lançamento de um dos seus estandartes, porque, porque, …
Dezoito anos depois da sua primeira edição, os Pearl Jam presentearam os seus fãs com a reedição de Ten, disponível no mercado em versão deluxe (2 CD’s + DVD) ou de coleccionador (2 CD’s + DVD + 4 LP’s + K7 Demo com versão original + Notebook + Posters + Réplica + Concerto). Mas o que realmente me importa (por agora), é a descoberta de um dos rios que encheria o oceano de Seattle.
Nos anos 80, altura em que nos Estados Unidos a cena underground começava a criar um circuito que se distanciava das grandes editoras (com nomes como Minor Threat ou Butthole Surfers), Stone Gossard e Jeff Ament tomavam os seus lugares de guitarrista e baixista naquela que, para muitos, seria a banda precursora do grande movimento de Seattle, os Green River. Em entrevista a Anna Ward-Murphy, publicada na revista Blitz (Abril, 2009), Ament conclui que apenas copiavam o que já faziam os Black Flag, os Mötörhead e os Stooges e que isso viria a ser o grunge.

Dissolvidos os Green River, em 1988, Stone Gossar e Jeff Ament decidem continuar juntos e em plena actividade, chamando o guitarrista Bruce Fairweather , o baterista Greg Gilmore e o controverso vocalista Andrew Wood. Nasciam os Mother Love Bone.
Andrew Wood, influenciado por Led Zepplin e Aerosmith e revelando-se ao estilo glam, seria a figura central e o responsável máximo pela curta carreira dos Mother Love Bone. No ano seguinte à sua formação, o EP Shine veio contaminar o som local, predominantemente grunge, criando grandes expectativas para o seu primeiro registo de originais, Apple.

Dias antes do lançamento do promissor álbum (que viria a ser adiado para o final de 1990), Andrew Wood é encontrado com uma overdose de heroína, falecendo poucos dias depois com uma hemorragia cerebral e condenando a auspiciosa banda à extinção prematura.
Finda esta curta caminhada, Ament e Gossar convivem longe de pensar em novos projectos – Jeff Ament não desdenha, no entanto, uma curta incursão em concertos dos War Babies, enquanto Stone Gossar se juntava a Mike McCready, então guitarrista dos Shadow, para que trabalhassem nas suas novas canções.
A restante história rege-se pela batuta de Eddie Vedder e escreve-se sob o signo Pearl Jam.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Dia do Pai

... e porque ontem foi Dia do Pai (e porque sou pai e, mesmo com um dia de atraso, porque não o poderia deixar cair no esquecimento), gostaria de partilhar convosco, que eventualmente me leêm, a minha mensagem para este dia.
Em 1992 surgem os primeiros rumores de uma banda oriunda de Isla Vista. O primeiro single de maior relevo dos Ugly Kid Joe, Everything About You (estraído do álbum America's Least Wanted), invade as rádios nacionais e catapulta os californianos para o sucesso em terras lusas.
Munidos do seu poderoso rock, envolto em influências que navegavam dos sons do metal ao funk, apresentam-se a Portugal na primeira parte de um concerto de Def Leppard, trazendo na bagagem temas tão emblemáticos como Neighbor ou Cat's In The Cradle.
Cat's In The Cradle, original de Harry Chapin, surge na voz de Whitfield Crane com uma roupagem muito semelhante à da sua primeira versão. Capaz de mostrar o lado mais nostálgico do rock, esta música conta-nos a história entre um pai e o seu filho sem nos conduzir pelos fatídicos caminhos brejeiros, tão fáceis de encontrar num tema como este.
Uma canção que cresceu comigo, desde os tempos em que apenas era filho.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O que (se) passa na TV?

É dado adquirido que a televisão veio para nos mostrar o que há muito queríamos ver. Tornou-se corriqueiro afirmar que a televisão é a caixa que mudou o mundo. Mas será que já parámos para, apenas, escutar o que por lá se ouve?
Se há coisa que me chateia (e por vezes irrita) na programação que os nossos generalistas têm para oferecer, é a quantidade infindável de publicidade com que nos brindam. Diariamente resistimos aos duros golpes de marketing que nos aplicam, na tentativa de vender o melhor produto, perdemos horas na esperança que o “nosso” programa comece e, quando começa, desesperamos pelo seu reinício. Também já caí nesta rede, mas não por querer mudar o cartão do super-mercado.
Mais que esperar por bons programas de exclusivo musical (excluindo desde já galas de atribuição de prémios e comemoração de aniversários, onde determinados pivots da nossa praça se consideram sósias de Jessica Rabbit e se tentam valer dos dotes musicas que julgam ter), mais do que me perder na noite esperando o concerto que teima em não começar, encontrei na publicidade uma valorosa fonte de descoberta de (novos?) artistas.
Quem não bebeu da história de Brandie Carlile, enquanto invejava a fresca cerveja publicitada pela Super Bock?
Quem não se julgou Optimus por, simplesmente, se deixar levar?
Sobem as vendas, ou ganhamos com o achado?
Já agora, ficaria extremamente grato se me pudessem dar mais informações sobre o tema dos créditos finais da série Liberdade 21, exibida na RTP aos sábados à noite!




terça-feira, 3 de março de 2009

Deolinda: Receita popular para uma noite fantástica.

Ingredientes:

José Afonso e António Variações, em doses generosas
Sérgio Godinho e Madredeus, qb
Alma de Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro
Pequenos detalhes de rembetika grega
Punhados de música ranchera mexicana
Espírito de samba
Movimentos e graciosidade havaianos
Requintes de jazz
Polvilhados de pop

Modo de preparação:

Compre bilhetes com a devida antecedência (os concertos de Deolinda têm fama de esgotar com alguma facilidade).
Numa qualquer sala ávida de boa música, envolva todas as influências e contagie-as nos diferentes ritmos e ambientes.
Deixe-se levar pela voz de Ana Bacalhau, pelas composições e guitarra clássica de Pedro da Silva Martins, pelo contrabaixo de Zé Pedro Leitão e pela mestria de Luís José Martins.
Apure os sentidos, aprimore o humor e abra o espírito para um bom serão de (também) fado.

A opinião do Chef:

A mesa estava posta. Os naperons perfeitamente alinhados. Ao fundo, DEOLINDA, a spray branco, fazendo lembrar as paredes (agora) escritas da velha Lisboa.
Entraram solenes e a meia-luz. Nas paredes da sala podiam-se adivinhar estendais e o cheiro a roupa branca. Mal Por Mal lançou-se na noite e preencheu o pouco que restava de uma sala já cheia.
A cada novo tema, Ana Bacalhau fazia questão de nos contar uma estória. Meninas apaixonadas, danças no baile, amores (im)possíveis, viagens de autocarro ou procissões de aldeia, iam libertando cada música, descodificando cada letra.
Durante, sensivelmente, uma hora e um quarto, Deolinda mostrou-se no seu álbum de estreia, abraçou a sala, sentou-se ao colo dos seus espectadores, num misto de euforia e intimismo. Ao desfile de Canção ao Lado, faltou apenas Fado Castigo, confirmando-se o enorme sucesso de temas como Fon-fon-fon e Fado Toninho (com direito a bis em dois encores reivindicados sob calorosos aplausos) e o enorme poder de vocalização da fadista, que oscila entre as danças havaianas e o folclore ribatejano.
Na noite em que o Fórum Cultural de Alcochete fechou o ciclo dedicado ao fado – Fado (Re)Visitado –, não se ouviu a guitarra portuguesa, a noite não se mostrou de ar triste e sério, não houve fatalismo nem apelo à saudade. Na noite deste fim de ciclo, o grande auditório do Fórum Cultural de Alcochete fez-se bairro, vestiu-se de cores garridas e soube dançar o fado.

Ah fadistas!

Alinhamento completo do concerto (28.Fev.2009 – Fórum Cultural de Alcochete)

Mal por mal
Fado Toninho
Não sei falar de amor
Contado ninguém acredita
Lisboa não é a cidade perfeita
Quando janto em restaurantes
Fon-fon-fon
Eu tenho um melro
Ai rapaz
Canção ao lado
Entre Alvalade e as Portas de Benfica
Garçonete da casa de fado
Movimento perpétuo associativo
Clandestino
O fado não é mau

1º encore

Fado notário
Fon-fon-fon

2º encore

Fado Toninho